Avançar para o conteúdo principal

Direitos Atropelados - Texto de Manuel João Ramos

Em passeio pela Avenida 25 de Abril, hoje à noite, verifico mais uma vez que há "corridas"...Carros "kitados", adeptos do tuning, e não adeptos, passam a altas velocidades, muito acima dos 50 km/h. Os peões à beira de atravessar junto à passadeira assustam-se. Recuam. Os aceleras passam a "abrir", desrespeitam os sinais vermelhos, não param nos STOPs.
Ninguém faz cumprir a Lei. A prevenção rodoviária nos moldes em que é feita não funciona.
Fica um impressionante texto do Manuel João Ramos, Revista CUBO – 2008/03
Direitos atropelados
De ACA-M


O mais impressionante num atropelamento rodoviário é o modo como o peão é projectado pelo ar em pirueta para depois se estatelar no asfalto como uma marioneta desarticulada, com os ossos fracturados e o corpo ensanguentado. Há tempos, uma velha amiga minha seguia na berma da estrada, numa rua residencial de Benfica, porque o passeio estava ocupado por automóveis estacionados. Foi atropelada por um ligeiro circulava a 80 km/h (a velocidade foi presumida pelo rasto de travagem de 30 metros). Esteve um mês internada num inferno hospitalar lisboeta com uma fractura craniana, o corpo contundido e a necessitar de reconstituições plásticas.

Há tempos também, a tia da minha mulher, de noventa e um anos e quase cega, foi atropelada mortalmente quando tentava atravessar a Avenida Marechal Gomes da Costa, não longe das novas instalações da RTP e de uma passagem aérea que ninguém quer usar. Neste caso, o rasto de travagem do automóvel foi de 45 metros.

Soube recentemente que a Daniela Bogas, a rapariga de 9 anos que foi atropelada na Av. de Ceuta em Abril de 2006 porque o tempo de verde para peões era demasiado curto, foi classificada como ferido grave nas estatísticas da sinistralidade rodoviária apesar de ter tido morte instantânea, tendo esmigalhado o crânio contra um pilarete de cimento a vinte metros de distância que ainda hoje ostenta um memorial de coroas de flores. O processo foi arquivado pelo Ministério Público, apesar de o motorista de táxi que a atropelou ter fugido do local do acidente. Nenhum dos condutores que protagonizaram estas tragédias reconheceram qualquer responsabilidade nos atropelamentos. Todos consideraram legítimo, conduzir em velocidade excessiva numa zona urbana, pelo que declararam, mostraram não ter consciência da regra do Código da Estrada que estabelece que um veículo se encontra em excesso de velocidade quando não consegue evitar colidir com um obstáculo. Nenhum tinha aparente conhecimento que um peão atropelado a de 50km/h morre em mais de metade dos casos.
..."..."


Compilação de filmes de educação rodoviária, matriz inglesa:

Comentários

  1. Olá João!

    Aproveito este teu post para te pedir os teus bons ofícios no sentido de serem colocados ou bandas moderadoras da velocidade ou semáforos naquela zona da nossa terra que vai entre a Escola Primária e a Escola Secundária e as piscinas e que abrange ainda o Posto de Saúde.
    Reclamei isto ao presidente da Junta a 14 de Agosto de 2006 e não obtive resposta.

    Recentemente enviei cópia da carta ao Presidente da Câmara e respondeu-me um senhor(que, curiosamente por debaixo do nome escreve "dr")prometendo a colocação de uma banda.

    Ora uma não chega. Precisamos de duas para delimitar um espaço na estrada. Sabes se já foi colocada alguma coisa?
    Abraço

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Alferes Robles, massacres de 1961 e a Guerra de Angola

Recentemente visionei novamente os primeiros episódios da série "A Guerra" de Joaquim Furtado. Para quem não viveu a guerra, o documentário é excelente, e segundo muitos que a viveram Joaquim Furtado fez um trabalho notável. Ouviu ambas as partes, procurou uma visão serena e equilibrada apresentando unicamente os factos comprovados.
(ver aqui o documentário "A GUERRA" de Joaquim Furtado, https://youtu.be/eytkjJXrmhA onde  várias testemunhas presenciais testemunham as atrocidades cometidas por ambas as partes)

Na sequência dos grotescos episódios que se seguiram aos massacres de 15 de Março de 1961, a UPA matou barbaramente quase um milhar de colonos (a maioria branco) e outros milhares de trabalhadores locais, os portugueses (brancos) desencadearam a retaliação. Matou-se por dá cá aquela palha, milhares de angolanos pretos foram chacinados sem qualquer razão. Há várias fotografias de valas comuns, iguais às nazis, e depoimentos que chegariam para levar alguns por…

Roxanne Bueso

Pintora Roxanne Bueso, residente na Figueira da Foz, proveniente de Porto Rico.

A vala de Buarcos - emanilhar não é solução

A chuva intensa dos últimos dias veio mostrar o erro. Emanilhar e soterrar a vala hidráulica da praia de Buarcos criou um problema de drenagem. Havia espaço para a água percorrer a praia e chegar ao mar. O espaço foi limitado pelo emanilhamento da vala. Logo quando há muita água esta tende a escoar-se pelo caminho mais fácil. Sem espaço livre, acumula-se. Foi isso que aconteceu este ano. A praia parecia um lago. As máquinas tiveram que abrir novamente "uma vala" permitindo o escoamento da água para o mar.