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Ainda o Sabor

O grande desiderato em termos energéticos deveria consistir em fazer de todos nós micro-produtores. Democratizar, descentralizar, rentabilizar a produção de energia. Dadas as excelentes condições de radiação (luminosidade) do nosso país, eu, o Rui, o José , o Manuel, já deveríamos ter painéis fotovoltaicos nos telhados das nossas casas. Na Alemanha, país com pouco sol, desde 1998 já foram instalados quase um milhão de telhados solares... O que nos distingue, a nós ambientalistas convictos e racionais, é a vontade de mudar, progredir, sair das zonas de conforto em que vivemos até agora e racionalizar comportamentos , combater desperdícios de sempre. A iluminação da minha rua é ineficiente, desnecessária a determinadas horas...mas como a energia é muito barata, ninguém se importa. Poluir é baratíssimo...compensa. Eu estou disposto a abdicar de certos luxos (carro novo, TV de alta definição, férias no Brasil, refeições extravagantes...) para que a beleza no Sabor permaneça. mesmo que não...

Barragem do Sabor - menos de 0,6% da produção de electricidade

Nem um riozinho escapa.... o último rio selvagem de Portugal, o Sabor, vai ser sujeito à intervenção do betão (barragem) e humanização radical da paisagem. Em nome de 0,6% de produção de electricidade perde-se um valor natural inestimável. Sim, ainda há quem atribua valor à beleza, à poesia e a tudo o que não é mensurável em euros. E paga-se caro por isso (ver artigo) . A barragem do Sabor servirá acima de tudo para manter o nosso modelo actual de desperdício e comodismo energético....só os stand by (TVs, DVDs, Impressoras, Monitores....etc) consomem mais energia eléctrica do que a barragem do Sabor irá produzir ! Para além dos ares condicionados de porta aberta, frigoríficos e arcas congeladores dos supermercados (sem barreiras), sistemas de iluminação arcaicos ....etc, enfim uma lista interminável de desperdícios e irracionalidades. As palavras sustentabilidade, biodiversidade , solidariedade intergeracional ....são pouco credíveis, 16 anos após a Conferência do Rio.

O último rio selvagem em Portugal

"A Plataforma lembra que a obra vai inundar cerca de metade do curso do Sabor, o último rio sem barragens do país, e destruir, de forma irreversível, um "valor ecológico único e insubstituível" a nível da fauna e flora, reconhecido pela União Europeia e com 2,5 milhões de anos. Além disso, salienta que a electricidade produzida será pouco significativa para as necessidades energéticas nacionais." in Público de hoje Com tanto sol em Portugal, falta de areia nas praias, desperdícios de energia brutais (ainda hoje entrei no Café e tinha o ar condicionado ligado no máximo com a porta aberta) e ....acaba-se com a nossa maior riqueza: um património natural soberbo. O rio Sabor será mais um vítima da política sem valores que temos. Valores entendidos enquanto medida do nosso apreço pelo belo, enquanto harmonia entre nós, humanos, e todas as outras espécies. Termina-se com o selvagem, em nome de uma pseudo-felicidade baseada em índices de consumo de energia.