21.6.11

Alferes Robles, massacres de 1961 e a Guerra de Angola

Recentemente visionei novamente os primeiros episódios da série "A Guerra" de Joaquim Furtado. Para quem não viveu a guerra, o documentário é excelente, e segundo muitos que a viveram Joaquim Furtado fez um trabalho notável. Ouviu ambas as partes, procurou uma visão serena e equilibrada apresentando unicamente os factos comprovados.
(ver aqui o documentário "A GUERRA" de Joaquim Furtado, https://youtu.be/eytkjJXrmhA onde  várias testemunhas presenciais testemunham as atrocidades cometidas por ambas as partes)

Na sequência dos grotescos episódios que se seguiram aos massacres de 15 de Março de 1961, a UPA matou barbaramente quase um milhar de colonos (a maioria branco) e outros milhares de trabalhadores locais, os portugueses (brancos) desencadearam a retaliação. Matou-se por dá cá aquela palha, milhares de angolanos pretos foram chacinados sem qualquer razão. Há várias fotografias de valas comuns, iguais às nazis, e depoimentos que chegariam para levar alguns portugueses ao Tribunal Internacional de Haia pelo papel ativo que tiveram em crimes premeditados de matanças de crianças e mulheres inocentes, colocados à frente da metralhadora só por serem pretos angolanos.

Um dos notáveis criminosos foi o alferes Robles que recusou falar sobre o assunto no âmbito do documentário "A Guerra". Será má consciência ? Medo da verdade e dos crimes que cometeu ?
Robles ficou famosos pela frase "Mata-se primeiro, pergunta-se depois...." Era assim mesmo para Robles, o preto corria a atravessar a rua...pumba , um tiro e estava morto !

Contudo, o que mais me surpreende é a falta de memória coletiva. Passados 50 anos os portugueses ignoram estes massacres, e muitos defendem a honra do alferes Robles. Na internet não se encontra informação credível, a maioria dos que escreve sobre o assunto são amadores, muitos deles ultranacionalistas para quem os pretos mereceram a morte e que vivem ainda segundo a Lei de Talião "olho por olho, dente por dente", mesmo que os olhos e os dentes sejam de um inocente, e que no fim fiquemos todos cegos.

Deixo um excerto de vários documentos - aqui Guerra Colonial Portuguesa -Angola e Guiné
 https://www.youtube.com/watch?v=5Skw-wuQOc4

"A violência do documento é óbvia e incómoda, por vezes desconcertante. Tão desconcertante na sua brutalidade, que, se tivesse sido produzido pelos inimigos dos militares portugueses que participaram na guerra colonial em Angola, dificilmente seria mais verosímil."

"Cortaram cabeças e espetaram-nas em paus"

"A primeira experiência de horror vivemos logo na viagem para o Norte. Na zona de Úcua passámos por uma aldeia onde os colonos brancos vingaram os massacres feitos pelos negros com mais violência. Cortaram as cabeças dos terroristas e espetaram-nas em paus, à vista de todos os que passavam. Abateu-se sobre nós um estado de torpor que nos levava a viver a realidade como se não estivéssemos ali, como se estivéssemos a viver um filme. Parecia que estávamos adormecidos e era assim que levávamos a guerra."

Abusos da tropa colonial portuguesa contra a população da Guiné-Bissau precipitaram o início da luta armada, iniciada há 50 anos, defendeu hoje o general Bitchoufula Na Fafé, ex-guerrilheiro do PAIGC.

A luta de libertação havia de durar 10 anos, até o PAIGC declarar unilateralmente a independência, a 24 de setembro de 1973, reconhecida por grande parte da comunidade internacional. Portugal, o país colonizador, reconheceu a independência em setembro de 1974.

"O abuso era demasiado. A população, sobretudo a do sul da Guiné, não podia ficar impávida e serena perante as atrocidades, por isso, o partido decidiu mobilizar a população a pegar em armas contra os colonialistas portugueses", defendeu.

"Os colonialistas cometiam abusos que toda gente podia reparar. Trabalho forçado, abuso contra as mulheres na presença dos seus maridos legítimos, roubo e abate do gado bovino, coisas terríveis. Não podíamos ficar de braços cruzados", defendeu o ex-guerrilheiro.

Fica abaixo aquilo que a Wikipedia apresente em inglês sobre o assunto. Isto é em português,....nada.

in WIKIPEDIA
On March 15, 1961, the UPA led by Holden Roberto launched an incursion into the Bakongo region of northern Angola with 4,000-5,000 insurgents. The insurgents called for local Bantu farmworkers and villagers to join them, unleashing an orgy of violence and destruction. The insurgents attacked farms, government outposts, and trading centers, killing everyone they encountered. At least 1,000 Portuguese settlers and an unknown number of indigenous Angolans were killed.[55] The violence of the uprising received worldwide press attention and engendered sympathy for the Portuguese, while adversely affecting the international reputation of Roberto and the UPA.[56]

In response, Portuguese Armed Forces instituted a harsh policy of reciprocity by torturing and massacring rebels and protesters. Some Portuguese soldiers decapitated rebels and impaled their heads on stakes, pursuing a policy of "an eye for an eye, a tooth for a tooth". Much of the initial offensive operations against Angolan UPA and MPLA insurgents was undertaken by four companies of Caçadores Especiais (Special Hunter) troops skilled in light infantry and antiguerrilla tactics, and who were already stationed in Angola at the outbreak of fighting.[57] Individual Portuguese counterinsurgency commanders such as Second Lieutenant Fernando Robles of the 6ª Companhia de Caçadores Especiais became well-known throughout the country for their ruthlessness in hunting down insurgents.[58]

4 comentários:

  1. E quem és tu para vires para aqui falar disto? Este assunto é coisa de Homens, não de cobardes.
    Cala-te!

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    1. Efectivamente, o que este tipo deveria fazer, era pedir desculpa a todos as partes, por tanta asneira escrita. Fê-lo sem o respeito devido, quer aos vivos, quer aqueles que tombaram inocentemente, brancos ou negros.

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  2. Cobardia é vencer o medo através da matança indiscriminada de civis desarmados, crianças, mulheres, velhos....Robles, o militar condecorado por Salazar, foi cobarde: matou gente inocente por mero deleite e sadismo.

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  3. Ora aqui está uma maneira fácil de justificar um criminoso.
    Este assunto é coisa de homens, não de cobardes.
    Cála-te.
    Valentia anónima pois claro.

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