10.12.12

Pedro Bingre - Especulação, construção e dívida externa

No âmbito de uma Palestra promovida pelos Lyons da Figueira da Foz, o prof. Pedro Bingre do Amral falou sobre o problema da especulação imobiliária, o excesso de casas e a relação de tudo isto com a dívida privada e pública do país.
Ficam aqui alguns apontamentos *:
 -Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), entre 2001 e 2011 nasceram 824 923 habitações, uma média de 226 por dia ou nove por hora. Mais, significa que por ano nasceu qualquer coisa como uma das maiores cidades do País. Portugal tem hoje 1,7 casas por residente e está em segundo lugar, atrás de Espanha, nos países com maior parque habitacional relativo na União Europeia e Estados Unidos. Um ranking pouco abonatório.
  - Nos últimos 20 anos, mais de 100 mil hectares de solo rústico receberam alvarás de loteamento. Em média, cada hectare deixou de valer 5 mil euros para passar a valer acima de 2 milhões de euros. No total, estes alvarás ofereceram aos loteadores mais de 200 mil milhões de euros - quase três vezes o montante de resgate da troika

- Estrutura da dívida Privada Portuguesa, relatório da banco de Portugal (2009):
- 180.000 milhões de euros no total
-  105.000 milhões de euros (60% do PIB) corresponde à dívida por hipotecas.

- Esta subida brutal deve-se sobretudo às hipotecas imobiliárias , sendo o valor do Solo , a principal componente do valor total das hipotecas a pagar ( preço da construção + lucro sobre os materiais + impostos + custo da mão de obra + Especulação sobre o Solo). A componente preço do solo no preço da habitação ascende a cerca de 3/4 do valor total a pagar, em média (especulação).
Andamos a pedir emprestado dinheiro ao estrangeiro para comprarmos solo português ! ( dinheiro que pedimos aos nossos bancos, que pedem por sua vez aos bancos estrangeiros, sabendo que estes vivem dos aforradores privados...).


- Existem hoje mais de 1.500.000 casas devolutas em Portugal. que não deverão ser ocupadas nos próximos anos porque não são bens transacionáveis. Pior ainda, os eventuais compradores estrangeiros não estão interessados, porque a qualidade da habitação é muito má. Nos últimos dez anos construiu-se o equivalente a uma cidade de Coimbra por ano. ver mais aqui
- Até 1965, a valorização dos solos para construção era retida pelo estado Português. As habitações tendiam a ser adquiridas por preços mais próximos dos valores de custo.
Em plena Guerra colonial, e com um êxodo rural massivo para as cidades, o Estdo Novo decidiu "demitir-se desta sua política e permitir a liberalização das mais-valias, permitindo a especulação que preencheu as periferias da construção de má qualidade que conhecemos, urbanizando todo e qualquer pedaço de terra, mas vendida a preços caros. bancos
- O IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) tem uma função importante: obriga a quem tem casa devolutas a colocá-las no mercado, dinamizando o arrendamento e impedindo de forma indireta a construção de mais casas.
- O Urbanismo é hoje responsável por uma dívida no valor de 100% do PIB. O urbanismo não é
uma nota de rodapé nas políticas de ambiente, deverá ser um dos temas centrais das discussões.
Tudo isto não é inevitável, com melhores políticas e leis mais adequadas. Todos os loteamentos vazios, com
infraestruturas pagas e mantidas pelas autarquias – redes de luz, esgotos, estradas aumentam agora o défice já enorme das autarquias sem retorno. O défice privado aumenta portanto o défice público. Quando é o Estado a pagar somos todos nós que pagamos.


* -As minhas notas foram buscar alguns apontamentos aqui

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