4.5.13

Henrique Gomes o novo herói anti-EDP

Deixo aqui uma reflexão de Luís Lavoura sobre a EDP, o Henrique Gomes (ex-Secretário de Estado da Energia) e o mercado da energia

Muitos comentadores, especialmente de Esquerda, elevaram a o ex-Secretário de Estado Henrique Gomes à categoria de herói, um don Quixote que iria derrubar a EDP e o lobby da energia elétrica. Contudo, a realidade é mais complexa, há um défice tarifário, a EDP tem 18 mil milhões de euros de dívidas,...
Isto, sem prejuízo da minha opinião crítica em relação ao vencimento excessivo de Mexia (3 milhões por ano, um escândalo tão grande como o qualquer estrangeiro do Benfica ganhar 4 ou 5 milhões....) e à ruinosa política de barragens da EDP, um erro histórico, pelos graves custos e a destruição da paisagem natural.

As seguintes considerações fazem sentido:
 
(1) Rasgar contratos com a EDP exatamente depois de esta ter sido privatizada, ainda por cima a indivíduos ricos como os chineses, parece-me uma péssima ideia, que certamente nos sairia muito cara.

(2) Não tenho a certeza de que seja a EDP a sonegar recursos ao Estado. Se calhar é o contrário. A EDP é uma empresa endividadíssima, porque o Estado a força a vender eletricidade abaixo do preço de custo - o famoso défice tarifário - e há investimentos em infra-estruturas base que tem que ser pagos pelo país.

(3) Diminuir os preços da energia não é, em geral, boa política. É má. É uma política que conduz ao desbarato, como por exemplo as lojas portuguesas que têm o ar condicionado ligado com a porta aberta, ou que têm a porta aberta e um potente aquecedor a debitar calor para cima da empregada do balcão. É a esse disparate que a energia barata conduz. Países desenvolvidos têm usualmente políticas de energia cara, não barata.

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