29.4.14

26 de Abril de 2014



26 de Abril de 2014
A revolução somos todos nós, todos os dias, nas nossas microdecisões individuais que transformam o mundo.
Sempre que meto gasolina no depósito do carro sinto que estou a compactuar com a “contrarrevolução”. Os meus euros alimentam assim oligarquias, ditaduras, teocracias inimigas dos direitos humanos e do equilíbrio ecológico. António Guterres tinha razão quando nos anos 90 iniciou um ciclo de investimentos em energias alternativas que tornaram o país menos dependente dos “interesses alheios”. Criou-se um cluster industrial pujante (fabrico de eólicas e painéis solares) e dezenas de milhares de empregos. Fico satisfeito pelo facto de poder tomar banho com água aquecida pelo “nosso sol”, e assim não precisar de comprar gás importado da Argélia.
Vivo a revolução quando evito supermercados que abrem portas no 1º de Maio, no dia de Páscoa, etc. violentando os direitos dos trabalhadores e dessacralizando tudo e mais alguma coisa em nome do consumismo e do lucro. Defender os valores da família é impor o fecho das grandes superfícies ao domingos e feriados, e isto sim é revolução.  
Defender o 25 de Abril é apoiar os pequenos produtores agrícolas, saindo da nossa zona de conforto e pagando um preço justo pelos morangos sem pesticidas. A revolução passa pela aproximação às coisas da terra, praticando a frugalidade em oposição ao desperdício. Plantar árvores, criar pequenas hortas, investir em painéis fotovoltaicos (em vez de comprar um carro novo), consumir menos, comer menos carne, resistir ao individualismo, andar mais a pé, partilhar e oferecer tempo à comunidade…25 de Abril, Sempre !

Texto publicado no jornal "As Beiras" a 26.04.2014

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